quinta-feira, 5 de julho de 2018


Existem pessoas que entram em nossas vidas e que nos causam um bem tão grande. Tornam-se amigos, riem de nossas piadas sem graça. E nesta semana perdi uma delas, e tá sendo tão difícil. Perder alguém que transpirava vida, alegria, companheirismo é algo que a gente custa acreditar. Toda hora bate uma saudade e tristeza por saber que você não vai poder contar outra piada, um segredo.
Mas também estou feliz, porque existem pessoas maravilhosas que continuam com a gente. Nos confortando, dando aquele abraço apertado e você sente que tudo vai ficar bem. Que lembra da gente, que pensa, que pergunta se você tá bem, não apenas pra cumprir uma convenção social, mas porque quer saber se você está realmente bem.
Por isso, viva com seus amigos e amiga, viva da forma mais plena. Dê um abraço apertado, diga tudo aquilo que você tem pra dizer. Viva aquela amizade que deixa você ser você mesmo, falar o que tem pra falar, do jeito que você é. E aceite seus amigos também, do jeito que eles são.
Uma frase que eu lembro desta amiga que se foi, e que quando li, eu ri muito, era assim: “Amizade é uma via de mão dupla. Se não for, não é amizade”.



Raimunda Mezenes (1983-2018)
In memoriam

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Carta numero 4 (Resposta a carta numero 3)

Oi, tudo bem? boa noite.
desculpe eu nao escrever pra você esses dias. é que andei muito ocupado. Espero que entenda. 
Eu pensei em escrever pra você meus pensamentos, fazer desta oportunidade um momento em que quero refletir sobre as descobertas, sobre minhas ideias, sobre muitas coisas que as vezes eu não tenho tempo pra escrever... então, aqui vai.
Eu já te disse que sou formado em história? Pois é, por isso venho pensando sobre isso esses dias, e em minha pesquisa, eu resolvi trabalhar uma ideia que é a seguinte: contar novas histórias, de pessoas reais, história que tenha um sentido na vida de alguém, que faça mudança. Contar histórias tem sido umas das maneiras de passar sabedorias, conhecimentos, costumes, cultura. Tem sido uma maneira de afirmar uma identidade, de se relacionar, enfim... de muitas coisas que vão para além do nosso entendimento.
Porém, ontem, depois que o coordenador do projeto em que trabalho viajou, todo mundo resolveu ir para casa. E aí a bibliotecária do projeto me chamou para sair, porque ela queria comprar algumas no centro da cidade. Eu decidi ir com ela. Quando estávamos voltando para o projeto, quer dizer, ela ia voltar, eu ia pegar um ônibus e ir para casa. Antes de eu chegar no ponto de ônibus, eu fiquei conversando com ela e me dei conta de que já tinha se passado mais de seis meses em que trabalhávamos juntos e eu não sabia muito sobre sua vida. Não sabia quantos nos ela tinha, onde os pais dela moravam, se ela tinha pai e mãe, irmãos, irmãs, como era a vida dela fora do trabalho. A única coisa que eu sabia era que ela era muito exigente no trabalho e que ela sempre brigava quando alguém desarrumava a biblioteca dela. Foi então que pensei: Sim, muitas histórias devem ser contadas, precisam precisam ser contadas. No entanto, alguém precisa estar disposto a ouvi - las. Acredito sim, que alguém pode contar uma história para si mesmo, pra lembrar de algo, de uma lembrança, mas para que ela cause efeito, alguém precisa querer ouvir. Sabe por quê? Porque sempre tem alguém querendo contar sua história, querendo ser ouvida, precisando ser ouvida e cabe a nós mesmo estarmos disposto a ouvir para que elas causem efeito na gente. Por isso, eu queria te dizer que eu estou disposto a ouvir mais sobre você. E espero que você queira contar um pouco de de sua história.
Por fim, você conhece aquele filme The Perks of Being a Wallflower? Pois é, é sobre um garoto que escreve cartas para alguém desconhecido, e faz bem ele ser assim. Escrever pra você tem sido uma maneira de contar algumas coisas minhas, pessoas. 
Espero que leia e escreve também.
Abraços

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Carta numero 2 (Resposta a numero 1)

Oi tudo bem? Eu também estou feliz por conversar com você. Eu não sei quem você é, mas mesmo assim quero que saiba que serei honesto com você. Podemos ser amigos, confidentes. Estou mesmo precisando de alguém pra ouvir minhas besteiras na cabeça. Eu sou do Brasil, eu não sei falar inglês muito bem, nem escrever, então pode ser que escreverei errado. Eu sou um professor de história e faço mestrado em antropologia. Moro na Amzônia. Já ouviu falar? Aqui é bem quente, at´mesmo no inverno, não venta muito por causa da floresta. Mas é uma cidade grande como outra qualquer. E hoje particularmente estava muito quente, mesmo que o mês mais quente será em setembro. Eu sou de um estado chamado Roraima, lá tem muitas serras, lavrado, e venta bastante. Sempre que eu possso, vou até lá visitar minha mãe, que mora em uma aldeia indígena Wapichana. No momento eu trabalho em um  projeto de pesquisa sobre mapas e povos tradicionais, defendendo o direito à terra junto com vários povos. Eu nunca namorei por muito tempo, então nunca tive meu coração partido, fico triste e lamento por terem partido o seu. Espero que fique bem. Deve ser legal está em outro país, ou não? conhecer outras realidades, outras culturas, outras pessoas. Você parece ser legal e merece tudo de bom. E ficarei feliz em escrever pra você mesmo que seja só pra te entreter. Eu sou uma pessoa feliz, faço tudo que gosto e sou responsável com minhas obrigações, embora hoje eu tenha voltado pra casa um pouco deprimido, acho que foi devido à competitividade que se tem no mundo acadêmico. O mundo acadêmico é tão selvagem quanto outro qualquer. Enfim, acho que vou ficando por aqui, quando você ler, espero que responda. E se você quiser saber mais de mim, só perguntar. Abraços e até outro dia.

domingo, 27 de maio de 2018

Tentativa de começar a escrever


Já faz um tempo desde que escrevi meu ultimo texto. E naquele momento, as coisas eram bem diferentes do que são hoje. Percebo isso quando os leio e acho bobagem cada palavra, embora eu ache que tivesse algum sentido antes. Agora só vejo palavras de um cara assustado, apaixonado, preocupado. E eu continuo assim...
Então, hoje decidi escrever porque li uma  carta de um viajante branco do século XXI que faz parecer que vive no século XVI como se estivesse desbravando o desconhecido da floresta amazônica, aprendendo com os povos primitivos que aqui vivem.
Tenho minhas críticas sobre isso. E as defendo na maior parte das vezes. Só fico ainda assustando que no caso desse viajante, eu as faça, mas não sinto tanta confiança em eu mesmo sobre isso. 
Bom, o objetivo desta carta não é falar sobre ele. É falar sobre minha vontade voltar a escrever sobre as coisa, sobre tudo que está acontecendo na minha vida, sobre as pessoas que conheci, sobre os lugares que eu fui, sobre tantas coisas que eu queria falar pra você, e escrever seria uma boa forma de  não esquecer os detalhes.
Tenho tanto pra te contar, ainda continuo com medo, assustado, apaixonado, preocupado, e quero ter alguém pra falar sobre isso. e sei que você vai me ouvir.

  1. Então aqui vai ser um novo começo para minhas escritas. E quero que saiba que tentarei ao máximo me esforçar para que você não perca nenhum detalhe, mesmo que minha vida seja totalmente sem graça.
E falarei de minhas impressões sobre as coisas, sobre minhas teorias antropológicas, sobre minhas ideais que eu sei que não entrarão na minha dissertação;
Serão coisas idiotas, mas que se forem lidas por outro idiota, ele vai entender.
Beijos com ternura.

Céu Azul

Ele queria amar e por isso deu seu corpo,
Ele também queria, e por isso deu sua vida.
Num universo de festas e poesias sem sentido.
Num oceano que cria as mais maravilhosas despedidas.
Negando-os e mantendo a exclusividades de seus olhos,
Não se permitindo amar durante anos.

A origem desse sentimento se dar a partir de sacrifícios e desejos,
Num retumbante dizer de palavras doces e amargas.
Num mar de emoções que se divide em rios de lágrimas, amor, ódio, arrependimento,
Medo, desesperanças e esperanças.
Dando liberdade para que o destino fizesse sua parte.

Durante a época mais sombria,
Duma mistura de sexo, nojo, repulsa e amor.
Num misto de sentimentos que não são possíveis sentir por apenas uma pessoa,
O que leva ao sofrimento quando sentido por apenas uma pessoa.

Na ultima parada de junção entre corpos,
Recuperação de doenças emocionais e físicas,
Uma oportunidade dada pela vida,
E conquistada pelo sacrifício do medo de perdê-lo.
E em um segundo é perdido, pelo mesmo sacrifico.
Corpo ou alma?

E durante a despedida,
O céu se torna sua última palavra,
Fazendo com que o céu parasse de ser azul,
Através de mentiras e falsidades,
Verdades e um recomeço em outra verdade.

De repente, durante anos,
Ele, perdido, encontra ele,
Ele não é ele,
É apenas ele.
E mesmo não sendo possível amá-lo,
Ele percebe que é possível amar novamente,
E de novo, amanhece,

E o céu é novamente azul.

Escolhas

Às 11 horas da noite
Barulhos lá fora no meio da escuridão
Seja qual for o motivo desta angustia
Faz-me lembrar de meus fantasmas
Que há tantas luas tento esquecer.

Neste mar, sou apenas uma gota d’agua,
Quem se importaria como isto?
Afinal, o excesso é jogado fora, com o resto,
Sem ninguém ao menos precisar.

No escuro, meus fantasmas fazem barulho. 
Deixem-me dormir malditas assombrações.
Esqueçam de minha fraqueza e de minha solidão,
Perigoso nas escolhas que faço, 
Por isso me dói tanto,
Torna-me alguém incapaz.

Será certo sonhar com a liberdade, 
Fazer escolhas sem sofrimentos ou arrependimentos,
Isso é pedir muito?
Eu posso escolher beber a gota d’agua que se vai ou que fica?

Nem sempre isso é verdade, 
Apesar de que eu talvez nem queira saber de onde ela vem.
Talvez encontra-la não nos fará bem, 
Afinal, temos de escolher, 


Como foi a vida toda.

Sensações da lua

Ontem eu te vi sangrando,
Eu sei que você estava chorando.
Eu sei por que eu estava alegre,
no meio de uma nuvem perigosa,
Com a mente no mais alto delas.

Sinto que quando tocaste minha pele,
Com o sangue escorrendo de tua face,
Sorri, pois isso era uma das melhores sensações de prazer,
Que linda tu és.

Seu reflexo nos olhos do mundo,
Foram perdidos no mundo escuro.
Mas você não estava mais chorando,
Estava apenas vivendo como sempre esteve.
Fazendo-me mais feliz ainda

Se vive sonhando

Eu preciso roubar seus sonhos para modifica-los e quando eu devolvê-los eu faria parte dele, mas eu sei sonhar em sonhar em roubar os seus sonhos. Se você quer roubar os sonhos­­ dos outros, mas não é capaz de sonhar é porque você não tem capacidade o suficiente para poder viver neste mundo. Alguém sem sonhos não vive, apenas existe para executar funções programadas que lhes são impostas.
Para viver, você tem que aprender a imaginar, aprender o sentido do que é estar realmente vivendo. Se vive amando, chorando, se vive triste ou alegre, ou os dois. Se vive comendo e bebendo num encontro. Se vive tendo prazeres. Se vive olhando aquela pessoa que você acha que te olha, mesmo que seja apenas coisas da sua cabeça, mas você se permiti olhar porque agora não tem nada a perder. Se vive num dilema: falo ou não falo, ou espero que fale? Se vive angustiado, como também aliviado. Se vive fazendo amigos que estarão todos os dias com você e se vive perdendo aqueles que não merecem estar com você. Se vive numa confusão, porque você não sabe de que lado está. Se vive rotulando e sendo rotulado num mundo em que se passa uma crise de identidade. Se vive aprendendo coisas novas e reaprendendo o que você achava que sabia, mas também se vive ensinando. Se vive escrevendo, e se vive lendo e relendo. Se vive abraçando sua mãe e dizendo onde está o meu irmão. Se vive chorando por que outra pessoa chorou por um segredo que não é seu, mas que você faz parte. E na mesma hora, viver sorrindo. Juntos. Se vive pagando micos, e ficando muito nervoso quando os outros sorriem de você, mas isso faz parte. Como também, se vive sorrindo dos outros ou com os outros. Isso é você quem decide. Se vive também na morte de outros. Subindo uma serra, e nadando em um rio que se formou pelas lágrimas que caíram quando você viveu pela morte desse outro. Se vive com raiva, e com medo. Se vive um dia de cada vez, ou se vive pelo futuro ou pelo passado. Se vive sozinho, em uma parte do tempo, mas é bem melhor quando se vive com outros. Se vive sendo doido, ou se vive sendo mentalmente são. Mas faz doideiras e diz doideiras. Se vive errando. Se vive pedindo perdão, mas é bem melhor perdoar e ser perdoado. Se vive conectado, ou resistindo a conexão. Se vive sendo traído, e se vive traindo. Isso também é você que escolhe. Se vive muitos amores, ou apenas um, ou um amor e vários amantes, ou várias amantes. Se vive enfrentando, mas também se vive fugindo e voltando e enfrentando ou não. Se vive brincando das mais diversas brincadeiras, inclusive de se esconder, o que um dia será revelado. Se vive reclamando sem mostrar solução, ou se vive procurando uma solução. Se vive apático, ou se importando. Se vive ambicionando o ápice. Se vive no sol, se vive na lua. Se vive fumando maconha, cigarro, e se vive bebendo com os amigos. Se vive “tô nem aí”. Ou se vive “e agora, o que vão pensar de mim”. Se vive gritando em plenos pulmões, ou se vive calado. Se vive estudando muito, ou estudando pouco, porque depende da necessidade. Se vive viajando, morando e voltando. Se vive no banheiro ou na biblioteca. Ou no restaurante. Ou esperando todas as manhãs para que passe na frente de uma janela escura. E se vive apaixonando. E principalmente, se vive sonhando. Existem muitas formas de viver e todas estão ligadas. Algumas são involuntárias, como comer por exemplo, mas o que comer, claro se você tiver opção, é você quem decidi. Se apaixonar, eu acho que também você não escolhe, apenas acontece. Pode ser em qualquer lugar, ou qualquer pessoa. Basta apenas um olhar no espelho de você mesmo. Bem no fundo de seus olhos.
Se você não faz nada disso, ou nada parecido com isso, é porque você não vive, ou não começou a viver. Você esta apenas existindo num mundo racionalmente calculado, mas não foi você quem calculou, sendo muito, muito apático à tudo. Porém:Se você deseja estes tipo de sonhos, isto é californicação (Californication – Red Hot Chili Peppers)